
Paro por alguns momentos esta vida acelerada ao qual me habituei, e procuro sinais da antiga Marine. Existem muitos, demasiados até, mas sinto um brilho novo do qual vos quero falar. Esta é a minha história, mas podia ser a tua.
Quando participei no Convívio Fraterno no Seminário de Leiria, nos dias 29/30/31 de Outubro e um de Novembro, as expectativas eram nulas. Duvidei que alguém pudesse abalar este corpo de aço, que sempre julguei ter, esta razão confiante que fui construindo e esta alma certa do seu caminho, que sempre tive. Cada certeza, cada erro. Em três dias, tudo isto foi abalado e a Marine, outrora imponente, conseguiu ver de perto a pontinha dos dedos dos pés – conheci a minha pequenez. Chorei, duvidei e finalmente percebi. Naquele lugar, onde paira o maior sentimento de amor ao próximo que já senti, percebi a minha pequenez. Ao admitir, enquanto ser humano integral e nu, os meus erros intermináveis, conheci a minha pequenez. Ao baixar a cabeça, em sinal de arrependimento, conheci a minha pequenez. Ao dizer “amo-te Deus, eis-me aqui e toma a minha vida”, conheci a minha pequenez.
Agora, ao respirar novamente o ar do mundo que ontem me fascinou e hoje me assusta, penso em como não queria ter saído daquela bolha protectora que me acolheu durante três dias. Mas saí. Saí para enfrentar o desafio maior que é saber viver nele e combater com força e com fé, a minha pequenez.
Marine Lopes Antunes – C.F. 1134