Igreja quer «pedagogia» para falar aos jovens

As primeiras Jornadas de Pastoral Juvenil, que decorreram sexta e sábado em Fátima, desafiaram os educadores católicos a serem modelos e comunicadores do amor de Cristo junto dos jovens, no meio da atual realidade socioeconómica.

Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, o diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), padre Eduardo Novo, sublinha que “a Igreja não foge aos problemas nem vive apenas num mundo espiritual”.

Para o sacerdote, mais do que apresentarem “respostas feitas”, os animadores e catequistas devem “ir ao encontro da realidade dos jovens” para aí “ajudarem a discernir o sentido da vida” e “apontarem caminhos” de felicidade.

A “grande pedagogia a adotar”, tal como ficou demonstrado durante as Jornadas de Pastoral Juvenil, “é o modelo do Evangelho”, mas para isso é preciso apostar mais na formação dos educadores.

“A missão de evangelizar os jovens exige em primeiro lugar o aprofundamento do conhecimento da fé”, reconhece o padre Eduardo Novo, salientando ainda que quem anuncia Cristo aos outros deve ser portador de um “convite permanente à participação na vida da Igreja”.

“Isto só é possível através de um testemunho alegre, que não deixa dúvidas e que explicita a novidade do encontro pessoal com Cristo”, acrescenta.

Acolhido pelo Centro Missionário da Consolata, o encontro subordinado ao tema “Fé e Nova Evangelização: Ide e Fazei Discípulos” contou com a presença de cerca de 250 agentes de pastoral juvenil, vindos de todo o país, e também de alguns responsáveis e especialistas do setor.

D. Ilídio Leandro, membro da Comissão Episcopal do Laicado e Família, exortou os participantes a servirem como ponto de “referência” para a fé, através de “4 atitudes” fundamentais.

“Os animadores de jovens precisam de ser lugares de acolhimento, de acompanhar os jovens, de ter coragem de orientar e de cuidar da sua própria formação”, apontou o bispo de Viseu, segundo um comunicado do DNPJ, enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O padre Riccardo Tonelli, salesiano e especialista em pastoral juvenil, colocou “Jesus” no centro do “modelo de comunicação” a utilizar mas também lembrou que é preciso ter “ouvidos de amor para perceber” as necessidades dos mais novos.

“Os cristãos são por vocação os anunciadores da esperança, por serem testemunhas da paixão de Deus pela vida de todos”, sustentou.

Numa análise às “forças, fraquezas, oportunidades e ameaças” da Pastoral Juvenil, feita pelo sociólogo Alfredo Teixeira, professor da Universidade Católica Portuguesa, sobressaiu a existência de “uma juventude mais aberta à religiosidade do que há 20 ou 30 anos, em que a caminhada de fé terminava na comunhão”.

No entanto, as novas formas de comunicação e as linguagens que fazem parte do quotidiano dos mais novos exigem uma reconfiguração dos métodos até agora praticados.

“Se a Igreja quiser continuar a ser significante para a vida dos jovens, essa mensagem tem de atravessar as culturas juvenis de forma muito mais ampla”, conclui o docente.

JCP

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