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JMJ 2022: Comité organizador lança concurso para o hino e imagem gráfica

O Comité Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2022 apresentou hoje o concurso para a imagem gráfica (logótipo) e o hino do encontro de jovens de todo o mundo, em Portugal.

Para o cardeal-patriarca de Lisboa a adesão a este concurso deve ser muita, porque a JMJ é um é “um acontecimento que toca em milhões de jovens”.

“Estamos a falar de um acontecimento à escala mundial, que envolve milhões de jovens que já participaram ou querem participar nas jornadas, estão muito atentos, e constantemente nos perguntam como está e como é que vai ser”, acrescentou D. Manuel Clemente.

Os regulamentos hoje divulgados referem que os objetivos dos concursos são, por um lado, “desenhar o grafismo, as suas aplicações e o manual da marca oficial da Jornada Mundial da Juventude 2022” e, por outro, “criar a letra e a música” do hino para a JMJ.

De acordo com os documentos, o logotipo da JMJ 2022 é “dirigido preferencialmente a desenhadores gráficos profissionais e a estudantes de desenho gráfico de escolas públicas ou privadas” de todo o mundo.

A respeito dos autores e compositores para o hino, que “devem concorrer unidos”, refere-se que “devem ser portugueses e maiores de idade” e podem candidatar-se “preferencialmente a compositores, músicos, artistas profissionais e estudantes de música de escolas públicas ou privadas”.

O regulamento do concurso para o logotipo da JMJ 2022 foram divulgados no sítio da internet www.jmjlisboa2022.org em português, espanhol, italiano, francês e inglês, polaco e alemão e o regulamento para o hino em português.

A frase bíblica “Maria levantou-se e partiu apressadamente”, do Evangelho de Lucas, é o lema escolhido pelo Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude que se vai realizar em Lisboa, Portugal, em 2022.

Os regulamentos indicam depois os requisitos, nomeadamente a inspiração no lema da JMJ 2022, a referência à matriz cristã do evento, ao seu caráter juvenil e às ligações à cultura e tradições de Portugal.

O concurso para o logótipo e o hino da JMJ 2022 é lançado esta sexta-feira, dia 25 de outubro, aniversário da Dedicação da Igreja Catedral; dia 4 de novembro é a data limite para cada candidato “manifestar interesse em participar” e a entrega das propostas deve ser feita até ao dia 29 de novembro de 2019.

O anúncio do vencedor vai acontecer no dia 27 de dezembro de 2019.

**Artigo da Agência Ecclesia

O VITAMINA C está de volta! E é para esgotar!

Este momento tão esperado, finalmente chegou.

Depois do sucesso das duas primeiras edições do Vitamina C, que esgotaram e deixaram muitos a chorar por mais, eis que a 3ª edição do teu cancioneiro da canção de mensagem cristã já está disponível e, como é claro, é para esgotar também!

Se quiseres adquirir o teu, podes fazê-lo através de encomenda via email, para vitaminac@leiria-fatima.pt; no Seminário de Leiria ou na Gráfica de Leiria.

Quais são as novidades?

Dá uma espreitadela no novo Vitamina C, neste vídeo no nosso canal do Youtube, e descobre tudo!

II Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil

A Jornada Mundial da Juventude foi um momento desafiador para todos no fortalecimento da fé e no incentivo a construir uma nova comunidade na harmonia e na solidariedade. Uma experiência forte de Fé e de sentido Missionário, que nos impulsiona e desafia nos caminhos da Nova Evangelização. 
 
E eis que surge agora o mês de Setembro, o mês que escolhemos para as II Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil a realizar em Fátima de 20 a 22 de Setembro que terão como tema “Missão @dgentes – Ide e anunciai!” e que este ano serão em comunhão com as Obras Missionárias Pontifícias.
 
Elas destinam-se a animadores da juventude e a todos os que vivem/programam a Missão da Igreja, e como nos lembra o Papa Francisco A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher”.
O objetivo é ajudar os animadores juvenis a envolverem e entusiasmarem os jovens a ser missionários a partir do novo continente digital que eles hoje eles tão facilmente habitam.
 
Durante 3 dias faremos uma experiência conjunta de cultura, formação, entrega, serviço, oração e evangelização.
 
São conferencistas convidados a Dra.Teresa Messias, o Pe. António Frazão o Pe. Rui Alberto e D. António Couto, que nos ajudarão a refletir sobre o tema, sobre a comunicação da fé aos jovens: Como transmitir hoje?  Os media novos areópagos? Como é a relação entre os jovens e a Fé? Como é que a Igreja chega aos jovens?A igreja ao encontro dos jovens: que rosto? que interface? que ambiente?…
Haverá momentos de encontro e partilha com diferentes workshops versando os mais diversos temas. 
A apresentação do livro de Chiara Luce e YOUCAT – crisma, bem como os concertos orantes serão também momentos de intensidade e intimidade. 
Sexta-feira | Dia 20
17:00h Acolhimento | Abertura do Secretariado (Paulo VI)
Haverá Eucaristia (Capela da Boa Morte) para quem o desejar às 19:00h
20:00h Jantar
21:15h Sessão de Abertura
21:30h Conferência “As culturas juvenis frente ao fenómeno religioso – Doutora Teresa Messias
23:15h “Acordes de Fé”
Sábado | Dia 21
09:00h Eucaristia
10:00h 1ª Conferência: Culturas Juvenis Emergentes – Pe. Rui Alberto
11:00h Pausa
11:30h 2ª Conferencia: A missão – D. António Couto
13:00h Almoço
15:00h Workshops
1. Missão e Economia
2. Juventude e Família (Felix Lungu e Rita)
3. Juventude e Cultura (Actores Ruy de Carvalho e João Carvalho)
4. Ecos da JMJ Rio 2013 (Jovens de Viana do Castelo)
5. Bioética para Jovens (Dr. Luís Marques)
6. Chiara Luce: Testemunho de fé (Mariagrazia Magrini e Bispo emérito D. Livio Maritano)
16:30h Plenário
18:00h 3ª Conferência: Imaginar a vida a partir da fé – os jovens como lugar de missão – Pe. José Frazão SJ
19:00h Apresentação do livro de Chiara Luce pela Vice Postuladora Mariagrazia Magrini e Bispo emérito D. Livio Maritano
Apresentação do livro YOUCAT – crisma pela Paulus Editora.
20:00h Jantar
21h30h Sessão cultur@l: Projecto Buganvília João Afonso e Rogério Pires (Auditório Bom Pastor)
Domingo | Dia 22  
10:30h Rosário (Capelinha)
11:00h Eucaristia e envio (no recinto do Santuário)
13:00h Almoço
15:00h Mesa Redonda: Eugénio Fonseca – Bernardino Silva – Sara Vidal
16:00h Envio e conclusões
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Mensagem do Papa para a Jornada Mundial da Juventude

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
PARA A XXVIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE
NO RIO DE JANEIRO, EM JULHO DE 2013

«Ide e fazei discípulos entre as nações!» (cf. Mt 28,19)

Queridos jovens,

Desejo fazer chegar a todos vós minha saudação cheia de alegria e afeto. Tenho a certeza que muitos de vós regressastes a casa da Jornada Mundial da Juventude em Madri mais «enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé» (cf. Col 2,7). Este ano, inspirados pelo tema: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4,4) celebramos a alegria de ser cristãos nas várias Dioceses. E agora estamo-nos preparando para a próxima Jornada Mundial, que será celebrada no Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2013.

Desejo, em primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo, junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa.

Convido a vos preparardes para a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, meditando desde já sobre o tema do encontro: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28,19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora este mandato deve ressoar fortemente em vosso coração. O ano de preparação para o encontro do Rio coincide com o Ano da fé, no início do qual o Sínodo dos Bispos dedicou os seus trabalhos à «nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Por isso me alegro que também vós, queridos jovens, sejais envolvidos neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais precioso que podeis fazer aos outros.

1. Uma chamada urgente

A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século XVI, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de vinte anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo. Mas penso também em tantos de vós que se dedicam generosamente à missão da Igreja: disto mesmo tive um testemunho surpreendente na Jornada Mundial de Madri, em particular na reunião com os voluntários.

Hoje, não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, nos fazendo compreender que toda existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho, morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e de vida nova.

A Igreja, para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade! No final do Concílio Ecumênico Vaticano II, cujo cinquentenário celebramos neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo inteiro uma Mensagem que começava com estas palavras: «É a vós, rapazes e moças de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela». E concluía com um apelo: «Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!» (Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).

Queridos amigos, este convite é extremamente atual. Estamos passando por um período histórico muito particular: o progresso técnico nos deu oportunidades inéditas de interação entre os homens e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver fundada não sobre o materialismo mas sobre o amor, a única realidade capaz de encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O homem que esquece Deus fica sem esperança e se torna incapaz de amar seu semelhante. Por isso é urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho» (1 Cor 9,16).

2. Tornai-vos discípulos de Cristo

Esta chamada missionária vos é dirigida também por outro motivo: é necessário para o nosso caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: «É dando a fé que ela se fortalece» (Encíclica Redemptoris missio, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós mesmos cresceis em um enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, vos tornais cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência. Comprometendo-vos no serviço aos demais e no anúncio do Evangelho, a vossa vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e amadurecereis em humanidade.

Mas, que significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele: «Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). O discípulo, de fato, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf. Lc 10,39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até o dom de sua vida. Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.

Aconselho-vos a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos cristãos nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e incompreensões. Não o esqueçamos jamais! Fazemos parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam conosco para que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste patrimônio recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução do YouCat, o Catecismo para jovens que vos entreguei no Encontro Mundial de Madri, «tendes de conhecer a vossa fé como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação» (Prefácio).

3. Ide!

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo» (Mc 16,15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele seu irmão Simão (cf. 1,40-42). A evangelização sempre parte do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.

Pelo Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.

4. Alcançai todos os povos

Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo homem e toda mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!

Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa de também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados». Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.

Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, «senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! […] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste “continente digital”» (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.

O segundo campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de Região ou País, por razões econômicas ou sociais. Também estes fenômenos podem se tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo.

5. Fazei discípulos!

Penso que já várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles, especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual Deus poderá tocar seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir, quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lc 10,29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: «Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei» (Mt 28,19-20). Os meios que temos para «fazer discípulos» são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.

6. Firmes na fé

Diante das dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o profeta Jeremias: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Mas, também a vós, Deus responde: «Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás» (Jr 1,6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia sobre a nossa força, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo: «Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós» (2 Cor 4,7).

Por isso convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!» (Mt 9,38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na Missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma preparando-vos com cuidado e solicitude. Junto com a Eucaristia, esse é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.

Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (Mt 5,11-12).

7. Com toda a Igreja

Queridos jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato «fazei discípulos» é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf. Jo 13,35). Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: «um é o que semeia e outro o que colhe», dizia Jesus (Jo 4,37).

A propósito, não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam com entusiasmo: «Há mais alegria em dar do que em receber!» (At 20,35). Àqueles que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf. Mt 19,29).

Dou graças também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia-a-dia como missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho. Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é precioso no grande mosaico da evangelização!

8. «Aqui estou, Senhor!»

Em suma, queridos jovens, queria vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos a chamada de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos missionários animados pelo seu amor e acolhimento. Segui o exemplo dos grandes missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.

No final da Jornada Mundial da Juventude em Madri, dei a bênção a alguns jovens de diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: «Aqui estou! Envia-me» (Is 6,8). A Igreja tem confiança em vós e vos está profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está conosco todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).

Dirigido aos jovens de toda a terra, este apelo assume uma importância particular para vós, queridos jovens da América Latina. De fato, na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida, no ano de 2007, os bispos lançaram uma «missão continental». E os jovens, que constituem a maioria da população naquele continente, representam uma força importante e preciosa para a Igreja e para a sociedade. Por isso sede vós os primeiros missionários. Agora que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da vossa fé.

A Virgem Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós em vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho, concedo a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 18 de outubro de 2012.

BENEDICTUS PP XVI

Algumas sugestões para organizar uma pastoral juvenil para a vida e a esperança dos jovens

RICCARDO TONELLI

1.Uma perspetiva
2.Três tarefas urgentes
3.Onde falham os jovens
Partimos dos “desafios”
A busca de sentido e de esperança
4.Uma proposta de organização dos recursos
5.O serviço educativo: para dar sentido e esperança
A situação de emergência educativa
A resposta: relançamento da educação
Para uma nova qualidade de vida
6.A qualidade do anúncio: para uma “nova evangelização”
Evangelizar como gesto de amor
Evangelizar num modelo de comunicação correto
Primeira condição: comunicação de uma experiência
Segunda condição: uma comunicação que leva ao seguimento
Terceira condição: uma comunicação que antecipa em [ponto] pequeno aquilo que se anuncia
A proposta da narração
7.Entre competência e confiança: a espiritualidade do agente de pastoral juvenil

Quem se interessa por pastoral juvenil já com alguma experiência no terreno, sabe certamente o que aconteceu, a nível mundial, no âmbito da educação dos jovens para a fé.

Vínhamos de situações de seguras, bem estruturadas, fortemente propositivas. No fundo, o problema do que dizer e do que fazer… não existia. Sabíamos bem quase tudo e as dificuldades eram sempre atribuídas aos destinatários. Era culpa dos jovens e da sua fragilidade constitutiva ou era culpa dos tempos, particularmente difíceis, ou de algum sujeito pouco empenhado… se as coisas não corriam bem. Nós, “responsáveis”, tínhamos feito tudo o possível. Sentíamo-nos bastante satisfeitos.

Depois, tudo entrou em crise, como por uma rajada repentina de vento que desarruma as folhas bem ordenadas em cima da mesa de trabalho.
Tentámos tanta coisa, em todos os sentidos. Muitas vezes, tínhamos a bênção dos nossos responsáveis oficiais. Por vezes, eram mais as preocupações do que os apoios.

Pouco a pouco, muitas opções fundamentais consolidaram-se. Tornaram-se uma espécie de referência obrigatória para quem considerava irrenunciáveis determinadas linhas de ação, no plano teológico e no educativo. Mesmo os pequenos gestos e as intuições de um momento feliz encontravam acolhimento e apoio nestas motivações de fundo.

Às primeiras gerações, que tinham conseguido um quadro renovado, no esforço de uma espécie de regeneração cultural e prática, sucederam-se gerações novas. Estas ignoravam o caminho anterior. Sentiam-se facilmente fascinadas por modos de dizer e de fazer. Aprofundando um pouco, era fácil dar-se conta de como era frágil a fundamentação e a visão global de certos modos de fazer. A esta constatação deve acrescentar-se o subjetivismo generalizado, mesmo cultural, e o difícil reconhecimento do dom precioso de outras experiências… virtudes típicas desta nossa época cultural.

A época atual tem os seus problemas, há tensões, há modos diferentes de enfrentar a mesma questão. Mas inegavelmente a atenção atual é grande e as realizações preciosas. Ninguém pode olhar com nostalgia para o passado, como se então as coisas funcionassem melhor do que hoje.

Estamos a pensar e a projetar a pastoral juvenil neste clima cultural. Devemos conhecê-lo e valorizá-lo para não sermos negativamente influenciados por ele e sobretudo para projetar sabiamente. Sei que estou a contar a experiência da Itália, mas tenho a impressão que será facilmente generalizável.

Tudo isto é belo e torna feliz a tarefa de quem trabalha na pastoral juvenil.

UMA PERSPETIVA

A primeira tarefa, no meu entender, consiste na escolha de uma perspetiva. Cada instituição, cada grupo, cada agente pastoral é chamado a escolher a perspetiva em que colocar-se: para a busca dos problemas a enfrentar e para decidir quais os recursos a utilizar e como intervir para resolver os problemas.

Esta primeira tarefa parece mais teórica do que prática. Com tanta coisa a fazer, pode dar a impressão de tempo perdido. Mas considero-a indispensável e urgente (tudo menos tempo perdido) e decididamente prática (mesmo que de momento estejam… suspensas todas atividades).

Faço uma proposta, sugerindo a perspetiva em que me reconheço e que, nestes longos anos de serviço à pastoral juvenil, pus como referência fundamental.

De uma penada, chamo-lhe a de Pedro que responde às expetativas do coxo, encontrado à Porta Formosa do Templo, narrando-lhe a história de Jesus, especialista na cura dos coxos e… o coxo fica curado e acredita em Jesus.

Explico-me.

Os “Atos dos Apóstolos” (cap. 3 e 4) narram o que Pedro combinou quando viu a mão estendida de um pobre paralítico à Porta Formosa do Templo e a sua defesa diante do Sinédrio, quando lhe foi notificado o que fez, sobretudo por causa da perturbação da ordem pública, causada com a sua intervenção. Declara, sem incertezas, que o coxo anda para que todos saibam que Jesus é o único nome em que é possível ter a vida. Proclama-o diante daqueles que o tinham matado em nome de Deus, recordando que Deus o ressuscitou, para mostrar com os factos onde se situa o seu projeto.

Ao coxo que pede esmola, Pedro fala de Jesus. E o coxo fica curado. Pedro não lhe dá os poucos trocos que o coxo esperava para chegar à noite. Dá-lhe muito mais: o encontro com Jesus e a cura. O coxo ficou felicíssimo… por não ter sido atendido. No encontro com Jesus, anunciado por Pedro, a sua vida mudou. Nem ele nem Pedro ficaram prisioneiros da rede apertada de pergunta e resposta.
Meditando na experiência de Pedro, relanço uma convicção, que justifica paixão e compromisso: o anúncio de Jesus Cristo é o grande gesto de amor que podemos fazer em relação aos nossos amigos, para lhes dar vida, consolidar a esperança, convidar a uma responsabilidade radical pela causa do reino de Deus. Nunca pode tornar-se um processo de proselitismo nem algo de semelhante à necessidade de manifestar a qualidade da equipa de que somos adeptos.

Parece-me esta hoje a perspetiva a redescobrir, aprofundar e relançar.

TRÊS TAREFAS URGENTES

A história de Pedro fornece a perspetiva a adotar para construir um bom projeto de pastoral juvenil.

Não resolve nenhum problema nem nos dispensa do esforço de pensar, projetar, trabalhar. Se for tomada a sério, torna-se porém um estímulo inquietante para um trabalho sério… a ponto de tirar o sono e a respiração.

Desta perspetiva coloco três tarefas urgentes. Confio-as à paixão inteligente de quem me escuta.

São estas as três tarefas decisivas para um projeto de pastoral juvenil:

Caraterizar bem os desafios com os quais somos chamados a confrontar-nos. Com a escolha da perspetiva proposta: descobrir onde e como coxeiam os jovens, para não errar a terapia tendo errado o diagnóstico;
selecionar os recursos de que dispomos (e são ainda tantos) para os utilizar num serviço educativo preciso e concreto;
Reafirmar a urgência da evangelização (nova no ardor e na qualidade) para devolver ao Evangelho o dom de ser ainda uma “bela notícia” para a vida e para a esperança de todos, capaz de fazer andar os coxos.
No desenvolvimento destas três tarefas urgentes nasce e articula-se toda a pastoral juvenil: o serviço da comunidade eclesial aos jovens para lhes dar vida e esperança.
ONDE COXEIAM OS JOVENS

É indispensável, antes de tudo, identificar os “verdadeiros”problemas.
Muitas vezes, os problemas que nos preocupam são verdadeiros e reais.
Outras vezes, infelizmente, são falsos problemas.

Podem ser falsos por diversas razões: ou porque os inventámos mesmo, talvez por excesso de zelo; ou porque representam uma coisa que não tem raízes sólidas; ou porque são apenas de um grupo de pessoas, a contas com os seus próprios problemas de modo a não se aperceber de outros gravíssimos que atravessam a existência dos demais.

Recordei que Pedro falou de Jesus ao coxo… narrando certamente das muitas intervenções através das quais Jesus restituiu vida às pernas deformadas dos coxos que encontrou. Outras indicações… teriam deixado indiferente o coxo e talvez agastado com este fulano que em vez de lhe dar a esmola pedida, lhe rouba os clientes com as suas conversas, devotas e inúteis.

Partimos, portanto, da identificação, séria e motivada, donde “coxeiam” os jovens: isto é, dos desafios com que a nossa pastoral juvenil é chamada a confrontar-se.

Convido a repensar-nos precisamente desta perspetiva.

PARTIMOS DOS “DESAFIOS”

Para captar os verdadeiros problemas, a primeira coisa a pôr em campo consiste na decisão de identificar de forma reflexa e crítica quais são em concreto as preocupações prioritárias e específicas. Chamo a esta operação “a definição dos desafios”.
Falar de “desafio” é uma escolha precisa de campo. Situa-nos na realidade quotidiana com uma atitude que não é resignada nem sequer apenas crítica e reativa.

Desafio significa, na realidade, uma interpretação reflexa da experiência cultural atual para captar os sinais de novidade presentes e os dados que de facto conduzem ao projeto de vida difundido e geralmente consolidado. O “desafio” é, por consequência, um contributo e sobretudo uma provocação que oferece contributos preciosos, mesmo quando exige uma intervenção corajosa.

A opção de identificar os desafios para selecionar e organizar os recursos disponíveis é uma condição fundamental – ao mesmo tempo teológica e antropológica – para assegurar um serviço qualificado.

Não tenho competência para indicar quais são os desafios com os quais confrontar-se. Já o fizestes. E admiro as conclusões.
Sugiro algumas indicações gerais, que permitem avaliar também as indicações concretas.

Num encontro com a comunidade académica da Universidade de Braga, há alguns meses, mesmo aqui em Portugal, sugeri uma interpretação minha de síntese dos problemas que atravessam o ser jovem neste tempo e que, portanto, provocam violentamente a pastoral juvenil.

A BUSCA DE SENTIDO E DE ESPERANÇA

Interpretando, com amor lúcido, a experiência juvenil atual, afirmo a presença uma grande busca de sentido: aquilo que todos os jovens buscam, mesmo nas expressões mais disparatadas, diz respeito ao sentido e à esperança, razões de vida e de futuro e a tranquilidade que conforta qualquer pequena conquista quotidiana. Constato, porém, que esta busca de sentido é cansativa e muitas vezes perturbada. Significa que não corresponde aos nossos parâmetros espontâneos e exige, pelo menos em muitos casos, uma corajosa aposta educativa para a definir assim.
Não me convence a afirmação de que os jovens do nosso tempo andam em busca de experiências religiosas, de espiritualidade, de propostas fortes e empenhativas. Parece-me uma avaliação parcial, que privilegia algumas manifestações ou tende a generalizar a partir de alguns sujeitos privilegiados. Talvez pese demasiado o mundo das nossas expetativas ou a nostalgia dos felizes regressos.

Certamente há muitos jovens corajosamente empenhados na busca de uma experiência religiosa forte. Eles fazem parte daqueles jovens felizardos que foram ajudados a superar as tensões do tempo que estamos a viver. Esta constatação representa uma preciosa indicação de perspetiva pastoral. Muitas vezes, porém, é fácil constatar que também estes jovens são marcados pelas lógicas culturais do nosso tempo. Vivem em busca de experiências religiosas segundo modalidades típicas de hoje: subjetivismo e desencanto, disponibilidade e autonomia, separação entre confissão de fé e opções éticas.

A vasta crise atual e a inquieta busca juvenil interpelam-nos, a nós adultos, e sobretudo a nós educadores da fé àquele nível de profundidade competente e exigente, em que possamos verdadeiramente radicar a reconquista de uma relação perdida.

Trata-se de um “grito”, forte, dirigido a nós adultos: um dom que não nos deixa tranquilos e que nos carrega violentamente de responsabilidades que certamente não podemos descarregar sobre outros e que, ao mesmo tempo, nos faz descobrir que é tempo de caminhar corajosamente juntos, compartilhando alegrias e inquietações.

Os velhos modelos já não funcionam. Percorrem de novo as estradas já andadas e aumentam o desconforto da orfandade. Alguns têm dificuldade em compreender. Os jovens pedem-nos, ao invés, que sejamos adultos novos, capazes de caminhar com eles e de compartilhar a busca e experiência do sentido e da esperança. No fundo… dão-nos um presente impensável: chamam-nos a ser, cada vez mais, pais e mães, sabendo gerar para o sentido e para a esperança.

UMA PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO DOS RECURSOS

Sob a preciosa provocação dos desafios em ação (e da sua interpretação numa explícita perspetiva de fé) a comunidade eclesial, empenhada na pastoral juvenil, organiza os recursos de que dispõe.

A organização dos recursos comporta três operações urgentes e complementares:

O inventário dos recursos de que se pode dispor
A seleção para definir quais são mais úteis, relativamente ao controlo dos desafios e à sua resolução
Uma nova organização, para proceder dentro de um projeto sério e bem elaborado.
Estas três tarefas são evidentemente confiadas à vossa competência e responsabilidade organizativa.
Realizo o serviço que me foi pedido sublinhando duas linhas prioritárias de ação. Representam, por um lado, a constatação feliz de recursos que as comunidades eclesiais possuem em abundância. Indicam, por outro, uma perspetiva prioritária em que investir concreta e quotidianamente estes recursos.

Sonho uma pastoral juvenil renovada, capaz de selecionar e organizar os recursos de que as comunidades ainda são ricas, em torno destas duas tarefas, a reconhecer, assumir, realizar de forma integrada e complementar:

A redescoberta do serviço educativo, numa época de emergência educativa, para devolver sentido e busca de sentido (onde ela estivesse apagada), paixão pela vida e atenção a uma madura qualidade de vida (onde a qualidade de vida estivesse demasiado afastada de uma “vida boa segundo o Evangelho”);
Um modelo de evangelização, no qual formular a solicitação difundida de uma “nova evangelização”: para devolver ao Evangelho a força de bela notícia para a vida e para a esperança.
O SERVIÇO EDUCATIVO: PARA DAR SENTIDO E ESPERANÇA

Temos discutido muito, mesmo no âmbito da pastoral juvenil, sobre a relação entre promoção humana e evangelização. Ficámos inegavelmente enriquecidos. Mas creio que seria tempo perdido retomar hoje a discussão.

Digo-o, uma vez mais, da perspetiva global escolhida: Pedro fala explicitamente de Jesus ao coxo. A sua proposta é experimentada pelo coxo como interessante e verdadeira, quando se deu conta que a vida lhe estava a voltar às pernas deformadas.

Como se vê, há um modo todo original de conjugar evangelização e promoção humana: o anúncio de Jesus, realizado de certo modo, representa em concreto uma fundamental intervenção de “promoção de vida”, se procede num movimento todo original:

interpreta em profundidade a qualidade da busca. Não é de esmola (como parecia pedir o coxo), mas busca de qualidade de vida (como interpreta Pedro e como ele próprio propõe);
a resposta consiste antes de tudo na reafirmação e relançamento da educação, interpretada como reconstrução da relação pessoal;
o serviço à reconstrução de uma nova e urgente qualidade de vida: a captar e a reafirmar numa época de pluralismo e de subjetivismo.
Faço alguns acenos sobre cada um destes três temas.

A SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA EDUCATIVA

Muita gente considera este nosso tempo caraterizado por um estado generalizado de “emergência educativa”.

O problema deve ser bem compreendido.

Aceitamos habitualmente as razões de sentido e de esperança, as perspetivas de futuro e os convites à responsabilidade no presente, através daquela relação que situa em acolhimento recíproco as pessoas, sobretudo assegura o diálogo dos jovens com as gerações que os precederam (pais, terceira idade, educadores). Estamos em emergência quando se quebra esta relação e já não sabemos onde reencontrar as razões de viver e de esperar.

Cito algumas anotações interessantes de um documento dos Bispos italianos precisamente sobre este tema: “Considerando as transformações ocorridas na sociedade, alguns aspetos, relevantes do ponto de vista antropológico, influenciam de modo particular no processo educativo: o eclipse do sentido de Deus e o ofuscar-se da dimensão da interioridade, a incerta formação da identidade pessoal num contexto plural e fragmentado, as dificuldades de diálogo entre as gerações, a separação entre inteligência e afetividade. Trata-se de nós críticos que são compreendidos e enfrentados sem medo, aceitando o desafio de os transformar noutras tantas oportunidades educativas. As pessoas têm cada vez mais dificuldade em dar um sentido profundo à existência. São sintomas disso a desorientação, o fechar-se sobre si mesmo e o narcisismo, o desejo insaciável de posse e de consumo, a busca do sexo desligado da afetividade e do compromisso de vida, a ânsia e o medo, a incapacidade de esperar, o alastrar da infelicidade e da depressão. Isto reflete-se também na perda do significado autêntico do educar e da sua total necessidade. O mito do homem “que se faz por si” acaba por separar a pessoa das suas próprias raízes e dos outros, tornando-a por fim pouco amante também de si mesma e da vida. […] Somos assim levados às raízes da “emergência educativa”, cujo ponto crucial se encontra na superação daquela falsa ideia de autonomia que induz o homem a conceber-se como um “eu” completo em si mesmo, lá onde, ao invés, ele se torna eu na relação com o tu e com o nós” (Educare alla vita buona del Vangelo, 9).

Esta situação condiciona fortemente o ser jovem. Existe uma atitude comum que atravessa a juventude. Chamo-lhe uma profunda, generalizada situação de “orfandade”. É órfão quem está privado do pai ou da mãe. Em muitas nações, devastadas pela guerra, são verdadeiramente numerosos os jovens sem pais. Entre nós, felizmente, não é assim. Muitos jovens são órfãos, perdidos no deserto da vida quotidiana, porque há uma orfandade por excesso de pais. Muda até o número físico dos pais e das mães. Mas sobretudo estamos rodeados de propostas que fazem tudo para tomar o lugar dos nossos pais na pretensão de nos dar razões de futuro e de esperança. Mesmo para vender as coisas mais banais ou meramente funcionais, é chamada à colação a qualidade e o sentido da vida: alguém entra de forma violenta na nossa existência e pretende dizer-nos quem somos e como devemos viver.

Não podemos, todavia, viver sem pais e mães com autoridade e significativos. Nesta situação, o futuro torna-se incerto e a esperança entra em profunda crise. E assim da orfandade muitos tentam sair para o desespero ou para o descompromisso. As experiências fortes funcionam como nova experiência de paternidade.

A RESPOSTA: RELANÇAMENTO DA EDUCAÇÃO

À emergência educativa damos remédio redescobrindo a via da educação… mas, ao mesmo tempo, reinventando-a, para uma cultura como é a atual e recuperando da cultura atual todos os contributos positivos de que esta é portadora.

Eis então a minha proposta: educar é instituir uma relação entre sujeitos diversos (felizes… por ser diferentes), através da qual eles partilham fragmentos reflexos e motivados de vida, para se transmitir reciprocamente aquela alegria de viver, aquela liberdade de esperar, aquela capacidade e responsabilidade de ser protagonistas da sua própria e da história dos outros, de que infelizmente estamos continuamente privados.

PARA UMA NOVA QUALIDADE DE VIDA

No centro da questão educativa está uma aposta antropológica: para que qualidade de vida orientar compromissos e responsabilidades?
Numa época como a nossa e em diálogo com os jovens do nosso tempo, repensei o centro de um projeto de pastoral juvenil em torno da categoria da “invocação”. Esta ajuda a abrir qualquer possível busca ao mistério e sugere a urgência de oferecer propostas que saibam depois abrir de par em par a busca mesma.

Antes de tudo, devo precisar o significado que atribuo ao termo “invocação”. Digo-o com uma imagem: os exercícios no trapézio que tantas vezes vimos na pista dos circos.

Neste exercício o atleta desprende-se do fio de segurança e lança-se no vazio. A certo ponto estende os braços para os braços seguros e robustos do amigo que dá voltas em ritmo com ele, pronto a segurá-lo.

O trapézio assemelha-se muito à nossa existência quotidiana. A experiência da invocação é o momento solene da espera: depois do «salto mortal», os dois braços levantam-se para alguém capaz de os acolher. No exercício do trapézio nada acontece por acaso. Tudo se resolve numa experiência de risco calculado e programado. Mas a suspensão entre morte e vida mantém-se: a vida abre-se à busca, carregada de esperança, de um sustentáculo capaz de fazer sair da morte. Esta é a invocação: um gesto de vida que busca razões de vida, porque quem o faz se sente imerso na morte.

A invocação representa, na minha hipótese antropológica, o nível mais intenso de experiência humana, aquele em que o homem se abre para fora de si.

A invocação é uma experiência de confim. É uma experiência pessoal, ligada à alegria e à dificuldade de existir, na liberdade e na responsabilidade, em busca das boas razões de cada decisão e opção importante. Ao mesmo tempo, ela é já experiência de transcendência, impelida para o mistério da existência.

É-o nos primeiros níveis de maturação. O homem “invocante” mostra-se disposto a entregar as razões mais profundas da sua fome de vida e de felicidade, mesmo os direitos sobre o exercício da sua própria liberdade, a alguém fora de si, que ainda não encontrou tematicamente, mas que implicitamente reconhece como capaz de satisfazer esta sua busca, de fundamentar as exigências de uma autêntica qualidade de vida.
É-o sobretudo na expressão mais madura, quando porventura a busca pessoal se perde no acolhimento do mistério da vida. Fiamo-nos tanto no imprevisível, que nos confiamos a um amor absoluto que nos vem do silêncio e do futuro.

A consolidação e o desenvolvimento da capacidade de invocação são problema educativo típico. Por outras palavras, dizem respeito à qualidade da vida e ao influxo do ambiente cultural e social em que ela se desenvolve. Temos necessidade de devolver ao homem uma qualidade madura de vida; e fazemo-lo entrando, com decisão e competência, no cadinho dos muitos projetos do homem sobre os quais se está a despedaçar a nossa cultura.

Nem tudo, porém, pode reduzir-se a intervenções apenas educativas. O educador crente sabe que, sem o anúncio de Jesus Cristo e sem a celebração do seu encontro pessoal, o homem permanece fechado e triste no seu desespero. Para lhe devolver verdadeiramente felicidade e esperança somos convidados a assegurar o encontro com o Senhor Jesus, a razão decisiva da nossa vida. Este encontro é sempre expressão de um diálogo de amor e de um confronto de liberdade, misterioso e indecifrável. Escapa a qualquer tentativa de intervenção do homem. Nele é reconhecida a prioridade da iniciativa de Deus.

Daqui a convicção: a invocação é uma experiência de vida quotidiana, fruto de inteligentes processos educativos. Pode ser educada.
É educada mas em duas modalidades que podem aparecer em oposição.

1. É educada quando o educador atua sobre germes iniciais de invocação e ativa processos capazes de os desenvolver até um êxito satisfatório.
2. Mas é também educada quando o educador que faz propostas, – pondo diante da pessoa o mistério em que a nossa vida está envolta e a sua experiência pessoal deste mistério, – evangeliza, com decisão e coragem, respeitando modalidades comunicativas capazes de suscitar liberdade e responsabilidade.
Tenho consciência de que a vida quotidiana, no seu ritmo normal, está carregada de germes de invocação. É acolhida, educada e restituída em autenticidade ao seu protagonista.
A evangelização, ao mesmo tempo, quando ressoa dentro da busca de sentido que atravessa dada existência, pode desencadear este processo de amadurecimento da invocação; sabe provocá-lo naqueles que vivem ainda distraídos e superficiais; satura-o naqueles que porventura sabem exprimir autenticamente a sua vontade de vida e de felicidade.
Educamos para a invocação para permitir às pessoas abrir-se totalmente ao mistério anunciado. Evangelizamos o Deus de Jesus para dar pão a quem o procura e nascentes de água fresca a quem tem sede; mas anunciamo-l’O com força e coragem para fazer crescer a fome e a sede de vida em plenitude.

A QUALIDADE DO ANÚNCIO: PARA UMA “NOVA EVANGELIZAÇÃO”

Na atual comunidade eclesial, hoje, estamos muito atentos aos temas e à urgência da evangelização. Redescobrimo-la como o dom precioso que os discípulos de Jesus podem oferecer para sustentar a vida e fundamentar a esperança de todos.

Para dizer tudo isto, falamos de “nova evangelização”. Não podemos esquecer que a “novidade” “reclama a exigência de uma renovada modalidade de anúncio, sobretudo para aqueles que vivem num contexto, como o atual, em que os desenvolvimentos de secularização deixaram pesadas marcas mesmo em Países de tradição cristã” (Bento XVI).

No âmbito da pastoral juvenil e com os jovens que nos lançam a provocação de um desafio de sentido e de esperança (como apenas recordei), o serviço para a “nova evangelização” pode ser colocado a três níveis:

evangelizar como gesto de amor
evangelizar num correto modelo de comunicação
a proposta da narração.
EVANGELIZAR COMO GESTO DE AMOR

Já recordei uma convicção importante: o anúncio de Jesus é o grande gesto de amor que podemos fazer relativamente aos nossos amigos, para lhes restituir vida, consolidar a esperança, convidar a uma responsabilidade pela causa do reino de Deus.

Isto parece-me hoje o ponto de perspetiva, a redescobrir, aprofundar, relançar.

O anúncio de Jesus, como gesto de amor, caloroso e apaixonado em relação às pessoas, não nasce nem do pedido do interlocutor nem do nosso desejo apostólico. Nasce das lógicas do serviço pleno e total, para cada pessoa no mistério da sua existência, e para a história pessoal e coletiva de todos, na perspetiva daquele projeto a que Jesus chamou o “reino de Deus”.

Desta visão global, mudam ritmos e tempos. Já não pode haver um antes, que prepara, e um “finalmente” que realiza. O amor tem lógicastotalmente diferentes. É descentralizar para o outro. Mas mede a qualidade do seu serviço pelo bem objetivo da pessoa amada. Não desiste por ser rejeitado. E também não se redimensiona, para se tornar mais aceitável. Arrasta quem ama, para lhe permitir crescer em plenitude e autenticidade: como a mãe que tira das mãos do filho que ama um jogo perigoso… mesmo se ele chora e grita, porque lho impõe o amor o amor concreto que lhe tem.

Querer bem a uma pessoa significa querer profundamente o seu bem, permitir a uma pessoa descobrir que a profunda expetativa de esperança e de sentido que percorre a sua existência, tem necessidade de encontrar respostas. Não podemos continuar a adiar o tempo do encontro com estas respostas e não podemos, por nenhuma razão, deixar desiludidas estas expetativas. Por isso, mesmo a partir do amor que cada um de nós consagra aos irmãos que tem a alegria de encontrar, descobrimos que não podemos resignar-nos a não falar de Jesus. O silêncio, neste caso, tornar-se-ia uma escolha que atraiçoa o amor.

O amor exige ajudar cada pessoa a tornar-se cada vez mais senhora da sua própria vida. Mas só somos senhores da nossa vida quando conseguimos experimentar o seu sentido, mesmo no momento em que eventos trágicos parecem entregar-nos ao contrassenso. Somos senhores da nossa vida, se formos capazes de a situar dentro de um projeto maior que diz respeito também ao futuro da nossa existência: conseguimos encontrar uma razão feliz, mesmo frente à dor e à morte, descobrimos que somos plenamente nós próprios só quando conseguimos morrer, como grão de trigo, para que todos tenham a alegria de ceifar o cereal que cresceu no terreno do meu pequeno serviço.

Falamos de Jesus não só porque O consideramos um amigo importante cuja amizade sentimos a alegria de oferecer a todos… falamos de Jesus e queríamos que todos pudessem encontrá-l’O no coração da sua existência, porque só n’Ele podemos descobrir que, apesar de tudo, somos e permanecemos senhores da nossa vida. Verdadeiramente o nome de Jesus é o maior presente que podemos dar a todos, para a todos restituir a alegria de viver e a liberdade de esperar.

A comunidade eclesial não se resigna se, às pessoas com quem compartilhamos a vida quotidiana, o nome de Jesus não interessa. Não se resigna, se diante do anúncio elas ficam indiferentes, preocupadas com muitas outras coisas. Está próxima delas, inquieta-as e interpela-as, porque só quando elas tiverem encontrado Jesus, poderão verdadeiramente permanecer naquela alegria e naquela esperança que procuram, infelizmente tantas vezes como a pessoa com sede que procura um gole de água entre as pedras e a sujidade dos poços secos.
Da perspetiva do amor que se faz anúncio, podemos repensar verdadeiramente todo o processo. Estou convencido que uma grande e empenhativa tarefa nos está confiada, no plano dos conteúdos e dos modelos de comunicação.

EVANGELIZAR NUM CORRETO MODELO DE COMUNICAÇÃO

Sugiro uma espécie de criteriologia, sublinhando três condições determinantes, mesmo no plano operativo, para qualificar o modelo de comunicação mediante o qual realizar a evangelização.

PRIMEIRA CONDIÇÃO: COMUNICAÇÃO DE UMA EXPERIÊNCIA

A primeira condição consiste numa comunicação capaz de assegurar a partilha da experiência daquele que narra e dos destinatários da narração.
Tantas vezes ficámos profundamente impressionados pelo tom das grandes catequeses apostólicas, tal como são documentadas pelos Atos e pelas Cartas. João, por exemplo, abre a sua Carta com um testemunho solene: «A Vida manifestou-se e nós vimo-la; o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram» (1Jo 1,1-2). Também Paulo recorda a experiência pessoal, quando sublinha os temas centrais da sua pregação (veja-se, por exemplo, 1Cor 15 e 2Cor 12).

Esta é uma dimensão qualificante do anúncio cristão: o que é comunicado provém de uma experiência pessoal direta e é apresentado aos outros com a intenção explícita de suscitar novas experiências. Não é antes de tudo uma mensagem, mas uma experiência de vida que se faz mensagem, numa cadeia ininterrupta que reporta à experiência fundante que alguns crentes tiveram em Jesus.

Quem evangeliza sabe que é competente só porque já foi salvo pela história que narra; e isto porque escutou esta mesma história da boca de outras pessoas. A sua palavra é, portanto, um pedaço de vida real, interpretada e transformada em palavras. A história narrada não diz respeito só a eventos ou pessoas do passado, mas também ao evangelizador e àqueles a quem o anúncio é feito. Ela é de algum modo a sua história.

Quem evangeliza, fá-lo como homem salvo, que narra a sua história para envolver outros nesta mesma história.

SEGUNDA CONDIÇÃO: UMA COMUNICAÇÃO QUE IMPELE AO SEGUIMENTO

Em segundo lugar, o modelo de evangelização que estou a sublinhar carateriza-se pela intenção explícita de envolver também os interlocutores na experiência narrada. A evangelização é, de facto e sempre, a narração de uma história que impele ao seguimento. A sua estrutura linguística não se destina a dar informações, mas pede uma decisão de vida.

O convite à conversão é assegurado, não por serem difundidas informações ainda não conhecidas, mas por o interlocutor ser chamado em causa na primeira pessoa. Não pode ficar indiferente diante da provocação: os dois braços abertos do pai que espera ansiosamente o regresso do filho perdido a casa obrigam a decidir de que lado se quer estar. A formação dá-se, não na medida das coisas novas aprendidas, mas no reconhecimento do estilo de vida a que são convidados aqueles que desejam fazer parte do movimento dos crentes.
O significado destas afirmações e as razões que as justificam estão ligados com a experiência dos discípulos de Jesus.
Um exemplo importante é constituído pelas parábolas. Estas não são o relato de acontecimentos, entregues à análise crítica do historiador. Não são preciosas e significativas pelo facto de conseguirmos reconstruir o tempo e o lugar em que se desenrola o acontecimento narrado ou por podermos verificar a congruência dos pormenores. São, ao invés, uma chamada pessoal a envolver-se no acontecimento para tomar posição.
A opção de privilegiar uma perspetiva implicativa sobre a descritiva é importante também por uma razão de competência. Quando se é chamado a transmitir informações técnicas, o direito à palavra mede-se pela competência possuída: quem sabe o que tem a dizer, pode falar; quem não sabe, deve calar-se. Quando, ao invés, no centro da comunicação está o convite ao seguimento e à coragem da conversão, a ciência já não basta. É necessária a paixão e o envolvimento pessoal. O direito à palavra não é reservado só aos que sabem pronunciar enunciados que descrevem de modo correto e preciso aquilo a que nos referimos. Quem viveu uma experiência de salvação, narra-a aos outros; fazendo assim, ajuda a viver e concretiza o estilo de vida a assumir para, com alegria, poder fazer parte do movimento daqueles que querem viver na experiência salvífica de Jesus de Nazaré

Por esta razão, a evangelização é sempre interpelante.

TERCEIRA CONDIÇÃO: UMA COMUNICAÇÃO QUE ANTECIPA EM PEQUENO O QUE SE ANUNCIA

Em terceiro lugar, a evangelização é uma boa comunicação quando possui a capacidade de produzir o que anuncia, para ser sinal salvífico. A narração termina com um envolvimento interpessoal tão intenso que permita viver hoje aquilo de que se faz memória. A história torna-se narração de esperança.
Não se trata de arrancar da memória de uma calculadora informações frias e impessoais, mas de libertar a força crítica contida na narração.
Os cristãos são por vocação os anunciadores da esperança, por serem testemunhas da paixão de Deus pela vida de todos.
Para poder falar de modo sensato da salvação de Deus que é Jesus devemos mostrar com os factos que é possível crescer como homens e mulheres na liberdade e na responsabilidade, capazes de amar de modo oblativo, empenhados na realização da justiça, testemunhas do sentido do sofrimento e da morte. Só assim, podemos mostrar eficazmente «a força do Espírito, aquela que pode ser vista e ouvida» (At 2,33), aquela que se traduz em gestos que nunca são feitos em vão (Gal 3,4). Anunciar a fé significa, portanto, narrar de um Deus «que dá o Espírito e realiza maravilhas» (Gal 3,4), apoiando esta narração «não em discursos persuasivos de sabedoria, mas na manifestação do Espírito e do seu poder» (1Cor 2,4).

A comunidade eclesial partilha a história e a vida de todos para, com palavras e com os factos, gritar do fundo do coração a grande promessa de Deus, que lhe diz diretamente respeito: «Vou realizar algo de novo, já está a aparecer: não o notais?» (Is 43,18-19). Assim quem narra d’Aquele que deu vista aos cegos e fez andar os aleijados, confronta-se com a tarefa quotidiana de curar os cegos e os aleijados de hoje. Mesmo se anuncia uma libertação definitiva só na casa do Pai, tenta antecipar os sinais dela na provisoriedade do hoje.

Demasiadas vezes, as situações trágicas permanecem na sua lógica desesperada e opressiva. Parecem um grito de revolta contra o Evangelho da vida e da esperança.

A narração da história de Jesus, diferentemente da argumentação que tudo explica e que sobre cada caso tem a palavra segura, fala de forma concreta e realista do sofrimento do homem. Não possui a chave dialética para resolver todas as situações e não tem a pretensão de desintrincar de forma lúcida os meandros obscuros da história. Partilha o caminho cansativo do homem; procura superar as contradições na companhia de todos; fala, com palavras boas, respeitosas, pacificadoras, concretas.
A palavra evangelizada mostra com os factos o Deus da vida: liberta e cura, reenviando de cabeça levantada quem chega destruído sob o peso dos acontecimentos, pessoais e coletivos; restitui a dignidade àqueles a quem foi tirada; dá a todos a liberdade de olhar para o futuro, numa esperança ativa, para os novos céus e as novas terras onde finalmente todas as lágrimas serão enxugadas (Ap 21).

A PROPOSTA DA NARRAÇÃO

Nestes anos imaginei um modelo concreto de comunicação, capaz de respeitar as três condições apenas recordadas. Chamo-lhe modelo narrativo.
Proponho realizar a evangelização dos jovens “narrando histórias que ajudem a viver”.
E explico-me de uma penada, remetendo para a vasta literatura sobre o assunto.
No mesmo evento evangelizador deveriam entrelaçar-se sempre três diferentes histórias: o evento de Deus que se faz próximo de cada um de nós, para a nossa vida e para a nossa esperança, as expetativas e as experiências das pessoas a quem é oferecida a narração, a experiência, vivida e sofrida, de quem reencontra a alegria e a coragem de partilhar aquilo que experimentou no encontro salvífico.
Estes três dados, de peso e de significado tão diverso, tornam-se uma palavra única, porque a autenticidade e verdade de cada elemento exige os outros, num jogo de relações recíprocas.

Quem quer servir a vida e consolidar a esperança não pode reduzir a sua proposta a fragmentos da sua própria existência. Ninguém pode dar a vida plena: nem a si nem aos outros. Dor, incerteza e morte ameaçam continuamente qualquer pretensão de autossuficiência. Temos necessidade de oferecer uma referência mais alta e segura, a do único nome em que todos podemos ter a vida.
O evangelizador narra, portanto, os textos da sua fé eclesial: as páginas da Escritura, as histórias dos grandes crentes, os documentos da vida da Igreja, a consciência atual da comunidade eclesial acerca dos problemas de fundo da existência quotidiana. Neste primeiro elemento, propõe, com coragem e firmeza, as exigências objetivas da vida, vista à luz da verdade proclamada. Crer na vida, servi-la para que nasça contra todas as situações de morte, não pode por certo significar diluir as exigências mais radicais nem deixar campo à debandada da busca sem horizontes e da pura subjetividade.

O evangelizador não consegue, porém, falar como se ele nada tivesse a ver com o assunto e como se porventura estivesse acima da refrega. A vida é aventura de solidariedade profunda e contínua, que nem sequer a morte física consegue quebrar. Este envolvimento pessoal confere-lhe a autoridade de que tem necessidade para pronunciar palavras exigentes, que julgam e inquietam com a força de uma existência reconquistada de modo reflexo. Também esta exigência reconstrói um fragmento da verdade da história narrada. Retira-a dos espaços do silêncio frio dos princípios para a mergulhar na paixão ardente da salvação.
Os seus interlocutores não são os destinatários passivos da comunicação. Eles tornam-se protagonistas da narração mesma. A sua existência dá palavra à narração: fornece a terceira das três histórias, sobre que se entrelaça a única história. O evangelizador fala deles na primeira pessoa, das suas expetativas e dos seus projetos, mesmo quando narra de homens e mulheres perdidos em tempos distantes ou quando ajuda a decifrar o percurso da natureza e da história ou quando reconstrói a trama de uma solidariedade que dá rosto a gente nunca vista.
Como no texto evangélico, a narração envolve na sua estrutura o evento narrado, a vida e a fé do narrador e da comunidade narrante, os problemas, as expetativas e as esperanças daqueles a quem a narração é feita. Este envolvimento assegura a função performativa da narração. Se ela quisesse antes de tudo dar informações corretas, seria necessária a repetição das mesmas palavras e a reprodução dos mesmos pormenores. Se, ao invés, a narração nos pede uma decisão de vida, é mais importante suscitar uma forte experiência evocativa e ligar a narrativa com a existência concreta. Palavras e pormenores podem variar, quando é assegurada a fidelidade radical ao evento narrado, em que está a razão constitutiva da força salvífica da narração.
Em força do envolvimento pessoal do narrador, a narração nunca é uma proposta resignada ou neutra. Quem narra a história de Jesus quer uma opção de vida: por Jesus, o Senhor da vida, ou pela decisão, louca e suicida, de viver sem Ele.
Por isso a indiferença atormenta sempre quem evangeliza narrando. Ele antecipa em ponto pequeno as coisas maravilhosas de que narra, para interpelar mais radicalmente e para envolver mais intensamente.

ENTRE COMPETÊNCIA E CONFIANÇA: A ESPIRITUALIDADE DO AGENTE DE PASTORAL JUVENIL

Termino a minha reflexão sobre a proposta de um projeto de pastoral juvenil, sublinhando uma exigência que tenho muito a peito.
Não posso, com efeito, imaginar linhas de ação sobre a pastoral juvenil sem situar tudo isto dentro de um claro e forte projeto de espiritualidade.
Esta indicação diz respeito, com a mesma intensidade, aos agentes de pastoral juvenil e à qualidade da sua proposta.
O tema é empenhativo e exigiria um desenvolvimento específico. Não posso fazê-lo. Limito-me a recordar a exigência.
Faço referência ainda à experiência dos apóstolos, para encontrar perspetivas significativas também para hoje. Ajudam-nos, como sempre, os “atos dos apóstolos”.
Os apóstolos são solicitados à ação. E organizam-se nesta perspetiva. Depois da ascensão de jesus, descem do monte e fazem o ponto da situação. Não excluíram da sua vida a incerteza nem aquela dose de trepidação que nunca faz estragos quando há grandes empreendimentos a realizar. Mas agora estão bastante prontos.
Pedro, por exemplo, reorganiza o grupo, procurando o sucessor de judas. E fá-lo com a segurança que lhe advém do mandato de jesus, que ninguém contesta, não obstante o triste parêntese da traição.
Depois, segundo a promessa de jesus, vem o espírito, a completar a experiência e a transformar o coração, e a aventura da igreja começa.
Entre o regresso do monte e o salto missionário, os apóstolos inserem uma espécie de intervalo, estranho para gente como nós, habituada à pressa e à eficiência. Recolhem-se no cenáculo para uma pausa de oração e de contemplação: “entregavam-se assiduamente à oração, com algumas mulheres, entre as quais maria, mãe de jesus, e com os irmãos de jesus” (at 1,14). Têm o encargo de testemunhar o evangelho até aos confins do mundo… E refugiam-se no primeiro andar da casa, dedicando tanto tempo a uma atividade que pouco tem a ver com o ativismo que lhes tinha sido solicitado.
Considero esta experiência apostólica um dom preciosíssimo para nos ajudar a compreender as condições de uma fidelidade ao encontro e à confiança de jesus, capaz de ultrapassar medos, incertezas, desistências e traições. Parecem dizer-nos: de acordo… Há urgência… Mas nenhuma urgência pode fazer esquecer como é irrenunciável contemplar o mistério de deus na oração.
Talvez haja uma inegável componente de medo. O espírito não os tinha ainda transformado. Mas de certeza os tinha marcado profundamente a experiência de jesus, que tinha o hábito de passar as noites em oração antes dos grandes empreendimentos.
Parece-me uma dimensão fundamental: uma condição de fidelidade.
Pensando nisto, conseguimos até compreender a razão desta escolha.
Os discípulos estão ao serviço da vida e da esperança no reino de deus. Mas tudo isto nunca pode ser considerado fruto do esforço humano… Embora o exija intensamente. O reino prometido é dom. Tinha-o dito com força jesus: “a causa da vida está a peito antes de tudo a deus: é a sua paixão e o seu compromisso. Ela [a sua paixão] realiza-a [a vida]. Mas ele confiou-ma a mim; e eu entrego-vo-la, porque sois meus amigos”. E logo acrescenta: “quando fizemos tudo o que devíamos fazer, devemos ter a coragem de reconhecer que somos apenas servos… Sem excessivas pretensões. Da vida e da esperança… Só deus é senhor. Nós somos somente servos… Com muito valor porque a causa da vida nos foi entregue, mas apenas servos, porque o projeto pertence a deus”.
É uma questão empenhativa, sobre a qual nunca pensamos o suficiente, pressionados pelas milhentas coisas a fazer.
O centro do projeto de pastoral juvenil pode ser expresso como um projeto de espiritualidade, capaz de unificar toda a existência cristã, conciliando plenamente o amor à vida, a fidelidade à igreja, a decisão de fazer de jesus o senhor da nossa existência.
Poderia parecer invulgar concentrar o projeto de pastoral juvenil em torno de um projeto de espiritualidade. Também eu e os amigos com quem nestes anos tenho trabalhado tínhamos ao princípio considerado bastante estranho concentrar as nossas atenções em torno de uma proposta de espiritualidade. Habitualmente, quando se fala de espiritualidade, pensa-se em alguma coisa que se acrescenta à vida quotidiana, com frequência reservada apenas àqueles que decidiram viver a sua própria existência num estilo todo especial. Sabíamo-lo e fizemos a opção precisamente para evitar que a espiritualidade se reduzisse a esta visão parcial. Queríamos reconquistar o termo “espiritualidade” como qualidade de toda a existência cristã.

Espiritualidade quer dizer, com efeito, vida quotidiana vivida, de forma progressivamente consciente, no Espírito de Jesus. Colocando no centro a espiritualidade, queríamos colocar mesmo no centro a nossa vida, acolhida com amor e com responsabilidade, e o projeto de Jesus sobre esta nossa vida. É possível, com efeito, resolver as inquietantes interrogações que atravessam a existência quotidiana, mas só na coragem de nos confrontarmos com a proposta do Evangelho num encontro pessoal com Jesus.

Apostar na formação vale a pena

“Fé e Nova Evangelização: Ide e Fazei Discípulos” foi o tema que cativou mais de 250 participantes nesta primeira grande reunião e chamamento à reflexão dos agentes de pastoral juvenil.

A noite de sexta-feira contou com a presença do Doutor Alfredo Teixeira, sociólogo e docente da Universidade Católica Portuguesa, que reuniu e analisou os dados fornecidos, em forma de análise SWOT, pelos secretariados diocesanos de pastoral juvenil.

Entre forças e fraquezas, ameaças e oportunidades, surgiu uma juventude mais aberta à religiosidade (do que há 20 ou 30 anos, que terminavam a caminhada de fé na comunhão. Nascem novas linhas de ação na cultura juvenil e uma necessidade de acompanhamento por parte dos sacerdotes e Bispos.

“Se a Igreja quiser continuar a ser significante para a vida dos jovens, essa mensagem tem de atravessar as culturas juvenis de forma muito mais ampla”.
As várias formas de comunicação e de linguagens que aproximam os jovens têm também de ser contempladas na ação dos agentes de pastoral juvenil.

O sociólogo terminou ainda dizendo que “olhar o futuro é mais fácil se for acompanhado e a Igreja tem de ser lugar de encontro e acolhimento, mas também aberta à nova realidade da mobilidade”.

O Padre Riccardo Tonelli, salesiano e especialista em pastoral juvenil, conseguiu cativar o auditório cheio. O sacerdote italiano chamou os animadores a falarem de Jesus aos jovens como “São Pedro falou ao coxo em vez de lhe dar dinheiro”.

“O animador tem de conseguir «desmancar» o coxo, com palavras de Jesus, para isso é preciso ter “ouvidos de amor” para perceber os jovens.”

Pe Riccardo disse ainda estar “convencido que se anunciarmos o amor de Jesus desencadeamos em vocação». As propostas para o serviço na nova evangelização: evangelizar como gesto de amor (falar de Jesus, necessidade evangelizar com amor) será evangelizar num correto modelo de comunicação.

O especialista em Pastoral Juvenil falou ainda da comunicação que é preciso aplicar.

“Tratar a comunicação como uma experiência que seja a minha envolvendo o outro com essa experiencia, uma comunicação que impele o seguimento e por fim uma comunicação que antecipa em pequeno o que se anuncia, os cristãos são por vocação os anunciadores da esperança, por serem testemunhas da paixão de Deus pela vida de todos.”

PALAVRAS DE D. ILÍDIO LEANDRO E P. EDUARDO NOVO

D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu e vogal da CELF, abriu as jornadas e presidiu à eucaristia no dia de sábado.

Na sua homilia destacou que “os animadores de jovens precisam de ser referência, em 4 atitudes: serem lugares de acolhimento, acompanharem os jovens, terem coragem de orientar e cuidarem da sua própria formação.”

Em jeito de balanço agradeceu a alegria de resposta na adesão a estas jornadas e acredita que “as questões que todos levam para casa sejam a base para a reflexão no dia a dia.”

“O DNPJ está a responder nesta área da formação tão necessária a todos os animadores e eu, como bispo, só posso estar feliz por este auditório cheio e pela participação e intervenção de todos.”

O diretor do DNPJ, Padre Eduardo Novo, realçava estas jornadas como forma de proximidade e reunião de todos os que trabalham em pastoral juvenil.
“Tratou-se de espaço de formação que há muito era necessário e estamos a sonhar a pastoral juvenil. Agora saímos daqui inquietos, com tudo o que ouvimos e partilhámos, fica só o desafio de descobrir os sinais, ler a realidade e saber agir no testemunho de ser cristão.”

“Continuaremos neste espírito de jornadas, contagiados pela coragem que levamos e decerto que as Jornadas serão uma proposta de continuidade”, concluía.

MOMENTOS DIFERENTES NAS JNPJ

A noite de sexta-feira terminou com “Acordes de Fé”, com O Mendigo de Deus e a Irmã Maria Amélia Costa num concerto orante onde predominou a entrega do dia. Os jovens, dispostos pela capela do Centro Missionário da Consolata e à luz de pequenas velas, foram convidados a um momento de reflexão e oração pessoal, ação de graças e paragem ao som de música.

No início da tarde de sábado os participantes foram divididos em grupos para partilha de experiências de pastoral juvenil, uma oportunidade de partilha e conhecimento de novas realidades. Ir ao encontro do outro para fazer experimentar Deus na sua vida, foi a síntese da partilha das actividades que mais marcaram os vários grupos de campos.

Igreja quer «pedagogia» para falar aos jovens

As primeiras Jornadas de Pastoral Juvenil, que decorreram sexta e sábado em Fátima, desafiaram os educadores católicos a serem modelos e comunicadores do amor de Cristo junto dos jovens, no meio da atual realidade socioeconómica.

Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, o diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), padre Eduardo Novo, sublinha que “a Igreja não foge aos problemas nem vive apenas num mundo espiritual”.

Para o sacerdote, mais do que apresentarem “respostas feitas”, os animadores e catequistas devem “ir ao encontro da realidade dos jovens” para aí “ajudarem a discernir o sentido da vida” e “apontarem caminhos” de felicidade.

A “grande pedagogia a adotar”, tal como ficou demonstrado durante as Jornadas de Pastoral Juvenil, “é o modelo do Evangelho”, mas para isso é preciso apostar mais na formação dos educadores.

“A missão de evangelizar os jovens exige em primeiro lugar o aprofundamento do conhecimento da fé”, reconhece o padre Eduardo Novo, salientando ainda que quem anuncia Cristo aos outros deve ser portador de um “convite permanente à participação na vida da Igreja”.

“Isto só é possível através de um testemunho alegre, que não deixa dúvidas e que explicita a novidade do encontro pessoal com Cristo”, acrescenta.

Acolhido pelo Centro Missionário da Consolata, o encontro subordinado ao tema “Fé e Nova Evangelização: Ide e Fazei Discípulos” contou com a presença de cerca de 250 agentes de pastoral juvenil, vindos de todo o país, e também de alguns responsáveis e especialistas do setor.

D. Ilídio Leandro, membro da Comissão Episcopal do Laicado e Família, exortou os participantes a servirem como ponto de “referência” para a fé, através de “4 atitudes” fundamentais.

“Os animadores de jovens precisam de ser lugares de acolhimento, de acompanhar os jovens, de ter coragem de orientar e de cuidar da sua própria formação”, apontou o bispo de Viseu, segundo um comunicado do DNPJ, enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O padre Riccardo Tonelli, salesiano e especialista em pastoral juvenil, colocou “Jesus” no centro do “modelo de comunicação” a utilizar mas também lembrou que é preciso ter “ouvidos de amor para perceber” as necessidades dos mais novos.

“Os cristãos são por vocação os anunciadores da esperança, por serem testemunhas da paixão de Deus pela vida de todos”, sustentou.

Numa análise às “forças, fraquezas, oportunidades e ameaças” da Pastoral Juvenil, feita pelo sociólogo Alfredo Teixeira, professor da Universidade Católica Portuguesa, sobressaiu a existência de “uma juventude mais aberta à religiosidade do que há 20 ou 30 anos, em que a caminhada de fé terminava na comunhão”.

No entanto, as novas formas de comunicação e as linguagens que fazem parte do quotidiano dos mais novos exigem uma reconfiguração dos métodos até agora praticados.

“Se a Igreja quiser continuar a ser significante para a vida dos jovens, essa mensagem tem de atravessar as culturas juvenis de forma muito mais ampla”, conclui o docente.

JCP

Documento Final do Conselho Nacional de Pastoral Juvenil

Nos dias 22 e 23 de junho de 2012 reuniram, na casa N.ª Sr.ª das Dores, em Fátima, os representantes dos serviços diocesanos da pastoral juvenil, das congregações e movimentos com expressão juvenil, com o tema Comunicaç@o e’ Evangelização.

Estiveram presentes os secretariados das dioceses de Algarve, Angra do Heroísmo, Aveiro, Braga, Bragança-Miranda, Coimbra, Guarda, Lamego, Leiria-Fátima, Lisboa, Porto, Santarém, Vila Real e Viseu, Ordinariato Castrense de Portugal/Diocese das Forças Armadas e de Segurança, SNEC – Escola e representantes das congregações e movimentos com expressão juvenil, nomeadamente, CNE, Equipas Jovens de Nª. Senhora, Fraternidade Missionária Verbum Dei, Juventude Hospitaleira, Movimento Juvenil Salesiano, Jovens MIC, Instituição Teresiana, Instituto Secular Cooperadoras da Família – Juventude Blasiana, Movimento dos Jovens Cristãos da Madeira, Juventude Mariana Vicentina, Irmãs da Apresentação de Maria, Jovens Sem Fronteiras, Jovens Missio Combonianos, Irmãs Servas da Santa Igreja, Movimento Teresiano do Apostolado, Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, Movimento Giofrater, Irmãs missionárias combonianas, num encontro conduzido pelo departamento nacional da pastoral juvenil (DNPJ), e que contou também, no sábado, com a presença de D. Ilídio Leandro, vogal da comissão episcopal do laicado e família (CELF).

Os trabalhos tiveram início às 21h30 com a apresentação breve de cada serviço diocesano, congregação e movimento seguindo-se a conferência: Comunicação e Evangelização proferida pelo Cón. João Aguiar Campos, presidente do conselho de gerência do Grupo r/com – renascença comunicação multimédia, e diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja.

Das múltiplas reflexões e caminhos apontados, o Cón. João Aguiar salientou: “A Igreja comete um pecado grave se não aproveitar e utilizar todos os meios disponíveis para anunciar a sua Mensagem, o anúncio da pessoa de Jesus”.

Segundo o administrador da Renascença, o testemunho pessoal continua a ser a melhor comunicação, no entanto, a técnica e os novos meios também devem ser utilizados para comunicar o Senhor Jesus. E para que esta comunicação seja eficaz e acessível a todos, o Cón. João Aguiar alertou para o problema da linguagem utilizada dado que “hoje, os destinatários vivem numa abundância de informação e urge distinguir e identificar o verdadeiro conhecimento e sabedoria”. Este discernimento é uma das tarefas mais urgentes da Igreja, pois é necessário educar as pessoas para o uso da comunicação social, isto é, conhecer a sua lógica de funcionamento, os interesses envolvidos, a hierarquização e critérios de notícia, e em particular promover a reflexão sobre o antagonismo entre a cultura contemporânea da pressa e a cultura da profundidade. Na perspetiva do Cón. João Aguiar este discernimento dirige-se não só aos profissionais dos media, mas também ao público geral, pois hoje o acesso à cultura digital permite que todos sejam produtores de conteúdos.

E como produtores de conteúdos, o diretor da Renascença convidou-nos a fixar o olhar no “jornalista Jesus, o verdadeiro e perfeito comunicador pois a Sua intenção foi sempre a de fazer-se compreender. E para o conseguir Jesus considerava sempre o tempo e o contexto, os lugares e em particular a diversidade dos seus destinatários, as pessoas”. Com o exemplo de Jesus, animou-nos a ter a mesma atitude dialogante e a gostar das perguntas. Perguntas que fazemos aos outros, perguntas que nos fazem, e também as perguntas que fazemos a nós mesmos, tais como: “Que atitude temos? Passiva ou dialogante? Que proximidade cultivamos? Que reflexão estimulamos? Que escuta praticamos? Que testemunho damos de Jesus? Temos medo que a nossa mensagem seja uma Pessoa? Estamos verdadeiramente apaixonados por Cristo?”.

O Cón. João Aguiar terminou a sua participação no Conselho Nacional da Pastoral Juvenil convidando os presentes a entrar no mundo da comunicação, a apaixonarmo-nos por Jesus e falar d’Ele.

A este anúncio público exortou-nos também o Pe. Eduardo Novo, diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), concluindo este primeiro dia do Conselho dizendo: “Que cada um possa comunicar a sua experiência de Deus”. Assim como fez o Cón. João Aguiar que começou pela comunicação e chegou à comunhão com todos os participantes e intervenientes na Pastoral Juvenil.

O dia terminou com a oração de completas e com o Ágape cristão (partilha gastronómica típica de cada região).

Com a oração de Laudes iniciaram-se os trabalhos de sábado. Estimulados e motivados pela presença de D. Ilídio Leandro, membro da CELF, que partilhou uma pequena reflexão onde evocou o Concílio Vaticano II, um facto histórico que é, ainda hoje, um grande acontecimento pois continua a modelar e a orientar a Igreja de hoje. “O Vaticano II é, na Igreja dos tempos modernos um acontecimento que delimita um “antes” e um “depois”, ainda que sem ruptura e orientando para uma permanente continuidade”.

Um novo Pentecostes para a Igreja. “O Vaticano II é a construção de um novo modelo e paradigma eclesiológico de relação da Igreja com ela mesma e com o mundo, dando as bases, referências e metodologia da Nova Evangelização que, mais tarde, João Paulo II haveria de assumir como Projecto e propor como Processo Pastoral. Esta Nova Evangelização consiste em dar corpo à Igreja desenhada pelo Vaticano II. Nova Evangelização que é feita com pequenas coisas como a Pastoral Juvenil. O concilio consagrou uma palavra: participação como a forma de ser, de estar e de viver de todos os membros desse mesmo Povo de Deus”.

Como fazer a recepção do Vaticano II na Pastoral Juvenil: fazer com que os jovens se sintam povo de Deus enviados em missão. Ajudá-los a ter consciência que no cristianismo existe uma chave de leitura de toda a pessoa humana que se chama Jesus Cristo – fonte de verdade, de beleza, de bondade e caminho de vida e de esperança. Ajudá-los a dizer Deus, sem medo, porque Deus não tira nada mas dá tudo e dizer Deus como Pai e Criador, como Filho e Salvador, como Espírito Santo e Santificador.

Somos chamados a ajudar os jovens a acreditar na vida, na sociedade, no futuro e, sobretudo, convidá-los e motivá-los a serem agentes na sua transformação e na sua construção. Pode acontecer que o ficarem de fora de tantas coisas (emprego, política, responsabilidades, decisões…), os faça desacreditar de tudo isso: vida, sociedade e futuro… Estaríamos a perder – Igreja e Sociedade – um contributo indispensável e essencial. A Pastoral Juvenil pode ser um ótimo “laboratório de participação”…Eles devem aparecer a acreditar que são agentes do presente e do futuro no mundo e na Igreja. (ver conferência em anexo)

Baseado no projeto do plano pastoral do DNPJ para 2012-2015, com o tema central “Firmes na Fé, Alegres na Esperança e Generosos na Caridade”, foi traçado o plano pastoral 2012-2013 com o tema “Ide e fazei discípulos de todos os povos” (Mt 28,19) e agendadas as respetivas atividades.

Assim, em 2012

1) Festival Jota 2012, a realizar este ano em Braga, de 20 a 22 de Julho (uma actividade acarinhada pelo DNPJ) Este festival será realizado este ano em meio urbano, será no Estádio 1º de Maio. “As bandas são extraordinárias”. É importante fazer divulgação nas dioceses. O preço de inscrição será de 25€ e o alojamento é em regime de acampamento.

2) Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil dias 19 a 20 de Outubro 2012, a coincidir com o CNPJ. Destina-se a todos os animadores juvenis e responsáveis da pastoral juvenil, terá como tema: “Fé e Nova Evangelização” “Ide e fazei discípulos”. O conferencista convidado é Pe. Riccardo Tonelli (SDB), de reconhecida experiência e especialista em Pastoral Juvenil e Educação. Nesta linha, alinhavou-se o programa o qual se partilha:

Sexta-feira, dia 19, iniciar-se-ão os trabalhos com a apresentação da análise swot realizada em Fevereiro último (salientou-se que quem ainda não o tivesse feito por escrito o fizesse com a maior celeridade possível) pelo Dr. Alfredo Teixeira (a confirmar), seguida da primeira intervenção do Pe. Tonelli. Sábado: privilegiar-se-á como momento forte de encontro e oração a Eucaristia às 9h30, um segundo momento ás 10h30 com conferência. Às 12h30 Almoço, 14h30 trabalho de grupo, 16h00 3ª conferência, 17h30 encerramento e envio.

Durante as jornadas haverá um mural onde todos são convidado a partilhar e a expressar a sua identidade carismática. Para colaboração, acordou-se um preço de inscrição de 5€ e o alojamento e alimentação ficarão a cargo de cada participante.

3) XIV FEJ a realizar no Porto no dia 10 de Novembro de 2012, com o tema “Valoriza a juventude que há em ti!” (Tim. 4,12) com o seguinte programa: 10h00 acolhimento; 11h00 celebração; 12h00 workshops “Análise da realidade” para perceber o tempo presente; 13h30 almoço partilhado; 15h00 8 grupos “caminhos de esperança”, Plenário; 16h30 celebração de envio;

4) IX Festival Nacional Jovem da Canção Mensagem, com o Tema “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4,4) e “Ide e fazei discípulos de todos os povos” (Mt 28, 19) realizar-se-á num só dia, 1 de Dezembro de 2012.

Acordou-se que a data de entrega das músicas será até ao dia 1 de Novembro, este ano a canção participante deverá fazer-se acompanhar de um vídeoclip de apresentação do grupo. Dialogou-se sobre o custo do bilhete de ingresso de 2 € e cada diocese terá direito a 100 bilhetes. Posto isto, aproveitando a presença de todos, foi realizado o sorteio de apresentação das músicas que determinou esta ordem: 1- Viseu, 2- Santarém, 3-Guarda, 4-Algarve, 5-Leiria,6- Funchal, 7-Lamego, 8-Coimbra, 9-Lisboa,10-Ordinariato Castrense, 11-Viana castelo, 12-Portalegre, 13-Braga, 14-Beja, 15-Setúbal, 16-Bragança-Miranda, 17-Angra, 18-Évora, 19-Vila real, 20-Porto, 21-Aveiro. Tendo-se estabelecido um só dia para o Festival, elaboramos a fita do tempo para o mesmo: 9:30h, Acolhimento no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, durante o dia decorrerá o chek sound e instigando que o Festival não é competição mas meio privilegiado de Evangelização pela arte, decorrerão também workshops. O Festival propriamente dito terá início às 20:00h, terá uma primeira parte de apresentação das músicas, na segunda parte será cantado em uníssono por todos os grupos o Hino das JMJ Rio 2013 e três músicas conhecidas e que terão sido ensaiadas durante a tarde, ressalvando o valor do Festival, como dinâmica de Evangelização esbatendo a competição.

Em 2013

1) Datas do CNPJ: 11 de 12 Janeiro de 2013 e 12 e 13 Abril de 2013. O de Setembro a coincidir com o I Simpósio Ibérico da Pastoral Juvenil.

2) O DNPJ querendo reunir sinergias e em diálogo com todos os intervenientes que trabalham no campo da pastoral juvenil e concretamente neste caso, com a Paulus editora, terá ao longo do ano o YOUTRAVEL: Peregrinação e visita a todas as dioceses e seus animadores juvenis com vista à formação permanente e proximidade com todos os animadores juvenis. Acompanhados da Cruz entregue por João Paulo II aos jovens europeus, e como tema “ Ide e fazei discípulos” este YOUTRAVEL visa: a proximidade, a união e comunhão; em articulação com a igreja local, incentivar a participação e caminhada de cada jovem ajudando-os a descobrir o seu papel e missão na Igreja e no mundo; um momento de formação de Pastoral juvenil e Nova Evangelização tendo como instrumentos o Youcat “catecismo” e Youcat “livro de orações” divulgando também a agenda jovem, oferecendo a todos os agentes da pastoral juvenil propostas concretas para uma fé esclarecida e esclarecedora; partilhar experiências e fazer circular as novas ideias; reforçar o Itinerário Rumo ao Rio disponibilizando informação sobre a JMJ; pretende também contribuir para a elaboração da base de dados das casas de retiro existentes nas várias dioceses. Irá ser enviada uma carta a cada diocese e seu responsável expondo esta iniciativa.

3) Fátima Jovem 2013 – 4 e 5 de Maio de 2013

4) JMJ Rio 2013 de 23 a 28 de Julho de 2013

Rumo à JMJ 2013. Atentos aos sinais dos tempos traçou-se o Itinerário Catequético para a JMJ de 2013, um itinerário para ser utilizado por todos os jovens, e não apenas para aqueles que participam fisicamente na JMJ no Rio de Janeiro. As catequeses terão por base temas da atualidade (credo, sacramentos, a oração do pai nosso…) focados no testemunho de vida dos patronos da JMJ Rio 2013. Para que possam estar acessíveis a todos, e, utilizando as novas plataformas de comunicação, serão divulgadas em formato digital, uma por mês e estarão disponíveis no site do DNPJ (www.dnpj.pt) e no site da agência ecclesia (www.agencia.ecclesia.pt)

No vínculo da Fé, e fomentando a unidade, na nossa comunidade cristã e em intimidade com cristo, programou-se um forte momento de encontro pessoal e comunitário nesta experiência de Deus em Cristo, todas as segundas sextas-feiras de cada mês rezaremos pelas JMJ.

Cada diocese foi convidada, na unidade com toda a Igreja, a preparar um encontro durante a JMJ 2013 para aqueles jovens que não participam fisicamente da Jornada.

Não tendo ainda reunido todas as informações e dados económicos de participação na JM adiantou-se um valor hipotético de 1500€ para a realização de pré – inscrições.

Insistiu-se que as inscrições oficiais deverão ser feitas no DNPJ, a viagem, com mais e melhores dados, será discutida numa próxima reunião.

O DNPJ, em diálogo com o comité organizador local do Rio, propõe pensar um encontro de lusófonos. 

From Fátima to Rio” é um projeto para jovens europeus que surgiu do diálogo com a empresa PHTO Travel Consulting. A ideia resulta do facto de nas Jornadas Mundiais da Juventude 2011 um significativo número de jovens se ter deslocado ao Santuário de Fátima para aí iniciar a sua Peregrinação. Inspirados nesta dinâmica propomos aos jovens europeus que se vão deslocar ao Rio, começar esta peregrinação em Fátima, independentemente da sua origem, assegurando-lhe 24 horas em Fátima sem pagar mais por isso. É uma clara oportunidade para a Igreja de Portugal e para a Pastoral Juvenil contribuir para afirmar as Jornadas Mundiais da Juventude como veículo fundamental para a Nova Evangelização, e estimular ao poder de organização que Portugal tem, na organização de eventos de cariz internacional.

5) I Simpósio Ibérico da Pastoral Juvenil de 20 a 22 de Setembro.

Os trabalhos encerraram, com as palavras do Pe. Eduardo Novo que após oração final nos deixa este belo desafio:

Juntos para sonhar novas imensidades. Juntos para marcar ritmos de um novo Amor.

Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa aos Jovens

Caríssimos jovens, as melhores e mais amigas saudações dos vossos Bispos, reunidos em Fátima.

Todos nós, os que estivemos em Madrid, na XXVI Jornada Mundial da Juventude (JMJ), recordamos, com alegria, a “Grande Festa da Fé”, vivida com o Papa Bento XVI e com tantos jovens, vindos do mundo inteiro. De Portugal, fomos mais de 12.000: jovens, responsáveis das dioceses e das estruturas diversas da Pastoral Juvenil. Nós, os Bispos, acompanhámos todo este acontecimento com alegria e proximidade pastoral e afetiva.

Porém, foram muitos mais os jovens que, mesmo não indo a Madrid, viveram estas Jornadas, ou porque acompanharam e estiveram na sua preparação, ou porque seguiram, de perto, a experiência ali vivida.

É a todos vós, jovens de Portugal, e responsáveis diocesanos e de todos os organismos juvenis, que nós queremos dirigir esta mensagem.

O que foi a JMJ de Madrid?

Certamente já tivestes ocasião de partilhar esta vivência com tantos e tantos amigos… Foi uma experiência de fé, no encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, mediado pelo Papa Bento XVI, por todos aqueles que vos acolheram e vos falaram – nas comunidades paroquiais, nas catequeses, nas atividades diversas daqueles dias, nos momentos de oração – e por tantos jovens, vindos das diversas partes do mundo, com quem estabelecestes uma relação próxima, a vários níveis e de tantas formas.

Este encontro com Jesus Cristo sentiu-se particularmente vivo na Eucaristia, na Adoração eucarística, durante a Vigília em Quatro Vientos, e na Via Sacra.

Como momento especial das Jornadas, não podemos esquecer o encontro e a festa do dia 18 de agosto, no Palácio de Congressos “Arena de Madrid”. Por ser a primeira vez e pela sua grandeza espiritual, pastoral e social, queremos felicitar a Equipa do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), todos os responsáveis e animadores e todos os jovens, louvando o trabalho feito, desde a preparação até à realização deste momento tão significativo na Pastoral Juvenil de Portugal, vivido na JMJ de Madrid.

A JMJ tocou alguns pontos fundamentais, que podem ajudar a delinear um “perfil” de jovem cristão. Concretamente:

– O jovem cristão encontra em Jesus Cristo o sentido da sua vida, tornando-se discípulo e missionário, no mundo e na Igreja.

– A partir deste encontro com Jesus Cristo, o jovem acredita na importância da sua missão e quer trabalhar por um mundo melhor, tornando-se testemunha de fé nos diversos ambientes.

– Na sua ação, o jovem sabe que não está sozinho, pois ser cristão é caminhar com Jesus na comunhão da Igreja. Vê os outros como amigos e irmãos e a todos quer comunicar a alegria de conhecer Jesus Cristo.

– O jovem vê na Igreja a comunidade que lhe mostra o verdadeiro rosto de Jesus. Nela, sem medo e sem vergonha, vive a sua alegria no seguimento de Cristo.

– O jovem cristão precisa da Igreja para viver a fé em Jesus Cristo, numa formação permanente, assente na Palavra de Deus e na Eucaristia, dando sentido à sua esperança. De facto, como afirmou o Papa, “a Igreja precisa dos jovens mas vós, os jovens, também precisais da Igreja”.

O que vos disse o Papa?

Convosco tivemos a oportunidade e a alegria de partilhar esta experiência única e de viver aquela feliz aventura. Somos testemunhas de alguns desafios que vos foram feitos por Bento XVI e que, nesta mensagem, queremos recordar e propor como compromissos para a Pastoral Juvenil em Portugal. Assim, a todos os mediadores que vos acompanham – nas dioceses e nas paróquias, nos institutos de vida consagrada e nos movimentos, em todas as estruturas da Pastoral Juvenil e também na coordenação nacional – queremos recordar três pontos fundamentais:

– Necessidade de formação permanente, complementando o amor à Palavra de Deus e à Eucaristia com outros meios de aprofundamento da fé. O YOUCAT, oferta incluída no vosso “kit de peregrino”, é um meio ao serviço deste desafio. A valorização do tema vivido – “enraizados em Cristo, firmes na fé” – deve ser complementado pelo de 2012 – “alegrai-vos sempre no Senhor”.

– Ajuda à formação e à missão o cumprimento de outro apelo do Papa Bento XVI, o de viverdes uma relação de pertença, participando na vida da Igreja.

– Não podeis esquecer, caros jovens, a dimensão da resposta alegre, feliz e entusiasta a Jesus, nos diversos chamamentos que Ele vos faz ou vier a fazer: “Respondei-Lhe com generosidade e coragem – escreve o Santo Padre – como corresponde a um coração jovem como o vosso. Dizei-Lhe: Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas Tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustenta, a alegria que nunca me abandone”.

A Igreja e a Sociedade são campos vastos para a entrega consagrada, na missão.

E a partir de Madrid?

O Papa convidou-vos para um novo encontro, no ano 2013, no Rio de Janeiro. Porém, a Pastoral Juvenil não é somente encontros, festas e jornadas mundiais. O programa que esses acontecimentos suscitam, deveis vivê-lo no dia a dia, num testemunho cristão que une muito bem os três temas, tão próximos e seguidos no tempo: “enraizados em Cristo, firmes na fé” (2011), “alegrai-vos sempre no Senhor” (2012) e “ide e fazei discípulos de todos os povos” (2013). Podem ser fonte de um belo programa para vos motivar à formação, vos acompanhar na dinamização das vossas comunidades, estruturas ou movimentos, de vos guiar na participação em grupos de jovens no vosso meio e de vos iluminar no testemunho ativo, coerente e feliz no seguimento de Jesus.

Ao terminar a missa de encerramento, disse o Papa aos jovens portugueses: «Foi para este momento da história, cheio de grandes desafios e oportunidades, que o Senhor vos mandou: para que, graças à vossa fé, continue a ressoar a Boa Nova de Cristo por toda a terra». É nesta hora concreta que sois chamados a ser protagonistas para a transformação da sociedade, enraizados em Cristo e firmes na fé.

Nós, os Bispos de Portugal, tudo faremos para dotar as dioceses, as estruturas diversas da pastoral e o órgão coordenador nacional (DNPJ), das pessoas que vos possam ajudar a conhecer melhor Jesus Cristo e a viverdes firmes na fé e na alegria de serdes discípulos e missionários na Igreja e na Sociedade.

Fátima, 10 de novembro de 2010

Cruz das JMJ está a chegar a Portugal

Peregrinação tem sido ocasião de aprofundamento da fé e reconciliação com o catolicismo

A Cruz que marca presença nas Jornadas Mundiais da Juventude vai estar em Portugal entre 8 e 20 de Agosto, passando pela primeira vez na diocese de Angra e, possivelmente, no Funchal.

O percurso pretende motivar a participação no próximo encontro mundial dos jovens, que se realiza em Madrid entre 16 e 21 de Agosto de 2011, dado que a Cruz e o ícone mariano que a acompanha, o mais importante de Roma, são os objectos materiais polarizadores da iniciativa.

Tudo começou a 31 de Março de 1985, um ano antes das primeiras Jornadas, quando o Papa João Paulo II fez a entrega da Cruz, que desde então tem sido ocasião de aprofundamento da fé e de reconciliação com o catolicismo para milhões de jovens em todo o mundo.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Pe. Pablo Lima, recordou os “testemunhos marcantes” de jovens que se aproximaram novamente da Igreja aquando da última visita da Cruz a Portugal, em 2004, alguns meses antes das primeiras Jornadas presididas por Bento XVI, na cidade alemã de Colónia.

Em Viana do Castelo, lembra o responsável, “juntou-se uma grande multidão à volta da Sé. Alguns jovens que estavam de passagem perguntaram o que é que se ia passar, e quando ouviram dizer que ia chegar uma cruz originalmente enviada por João Paulo II, decidiram ficar para a acolher e permanecer em oração”.

“Muitos deles não quiseram deixar passar a oportunidade de, no fim, escrever algumas palavras no livro de memórias. Alguns referiram que não entravam há muito tempo numa igreja e que aquela tinha sido uma oportunidade para voltar a rezar”, no meio de uma “grande emoção por ver tantos jovens reunidos em oração”, acrescenta o sacerdote.

O Pe. Pablo Lima acredita que a passagem da Cruz vai ser novamente “uma oportunidade de renovação espiritual” oferecida “a todos”: “Aos que vão às Jornadas e àqueles que não podem ir, aos que já são uma presença constante na Igreja e a quem não o é, e mesmo aos não baptizados”.

Para o director da Pastoral Juvenil, “a cruz é sempre o sinal mais eloquente da nossa fé”, ainda mais quando se trata de uma representação “que tem um sentido muito particular da união dos jovens com o Papa e vice-versa”.

Em 2004 mobilizaram-se cerca de quatro mil pessoas, mas este ano o responsável prefere não adiantar uma estimativa, até porque Agosto, diz, é um mês em que a realidade pastoral “é mais heterogénea”.

Em cada diocese ou grupo de dioceses vai haver uma vigília de oração, estando também a ser preparadas localmente outras iniciativas de âmbito espiritual e formativo.

A Cruz vai ser recebida a 8 de Agosto por representantes de todas as dioceses, durante a missa de encerramento da Peregrinação Europeia de Jovens, em Santiago de Compostela.

As datas da passagem da Cruz por Portugal são as seguintes:

Dia 8: Viana / Braga
Dia 9: Vila Real / Bragança
Dia 10: Lamego / Porto
Dia 11: Aveiro
Dia 12: Viseu / Guarda
Dia 13: Algarve
Dia 14: Leiria-Fátima
Dia 15: Leiria-Fátima / Santarém
Dia 16: Coimbra / Portalegre
Dia 17: Lisboa / Setúbal
Dia 18: Ilhas
Dia 19: Ilhas

Dia 20: Beja / Évora / Partida para o Santuário de Lourdes (França), via Madrid

via Departamento Nacional da Pastoral Juvenil – Cruz das JMJ está a chegar a Portugal.