A Fé(bre) de sexta-feira à noite

Uma vez por mês, sempre à sexta-feira, um grupo de jovens reúne-se no Seminário Diocesano de Leiria para uma noite de oração. Cantam, rezam e aproveitam o silêncio para refletir: sobre a vida, sobre a fé, sobre Deus. À saída, todos se dizem mais preenchidos e fortes espiritualmente

O ambiente criado na Cripta da Igreja do Seminário Diocesano de Leiria é propício à introspeção, à oração, ao encontro com a Palavra de Deus. Ao centro do salão, dois candeeiros vermelhos fornecem a iluminação que ajuda os jovens (e os menos jovens) a escolherem o lugar onde podem sentar-se, no chão, virados para um ecrã preenchido com uma imagem imaginária de Jesus Cristo. Ao fundo, iluminados por dezenas de pequenas velas, três elementos cheios de simbolismo, formam o altar: uma oliveira bonsai oferecida ao Serviço Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ); um pote com água onde flutua uma pequena chama – a luz que serve de guia – e uma cruz em madeira, com as marcas dos muitos jovens que com ela se têm cruzado.

Na última sexta-feira à noite, 27 de outubro, reuniram-se neste cenário, inspirado no movimento Taizé, perto de uma centena de pessoas. A maioria oscilava entre a adolescência e o princípio da maioridade. A espaços, vislumbrava-se um rosto menos juvenil ou uma cabeleira mais grisalha. Mas em todos se notava a mesma dose de concentração nas leituras do Evangelho, nas mensagens, na entoação dos cânticos. A abrir a sessão, uma pergunta: «O que é a Fé?». Pelo meio, as respostas da Sagrada Escritura, as propostas de reflexão, os conselhos do padre Manuel Henrique, diretor do SDPJ de Leiria: «Só quando nos deixarmos levar pelo amor de Deus nos encontramos verdadeiramente com ele». No final, o convívio e a partilha de algumas ideias, em torno de uma fatia de bolo e uma chávena de chá. «A fé é acreditar em alguma coisa que dá sentido à nossa vida»,sugere Micael Capitão, 15 anos, residente na Bajouca, Leiria.

Micael é quase um estreante nas sessões «Shemá» mas já sabe que gosta e porquê. «O ambiente, a envolvência, faz-nos pensar mais e entender alguns dos problemas da nossa vida. Desperta mais a fé», diz o jovem à FÁTIMA MISSIONÁRIA. Paulo Rodrigues, 44 anos, bancário, sabe bem do que fala o Micael. Começou a frequentar os encontros na fase inicial, na década de 90 do século passado, e agora, como animador de um grupo de jovens de São Simão de Litém (Pombal), continua a adorar estes momentos de «paragem», para renovação da fé. «Quem vem uma vez, quer voltar», refere, com um sorriso rasgado.

Os encontros «Shemá» na diocese de Leiria-Fátima começaram em 1992, na Quinta da Matinha, e chegaram a ter 500 participantes, segundo o padre Manuel Henrique. Depois, passaram a fazer-se por vigararias, na última sexta-feira de cada mês, e os fiéis dispersaram-se. Nos últimos cinco anos, o número de participantes na vigararia de Leiria tem vindo a aumentar. Há sessões a que assistem perto de 180 pessoas. «É um momento muito importante para a Pastoral Juvenil» e uma forma diferente de proporcionar o encontro com a Palavra de Deus. «Muitos jovens têm-se encontrado aqui com a pessoa de Jesus Cristo», assegura o diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Leiria.

Francisco Pedro, in http://www.fatimamissionaria.pt

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